Adeus Imposto de Renda? Trump Sonha Arrecadar Trilhões com Tarifas, Mas Dados e Economistas Desmentem Visão Otimista!
Em uma declaração audaciosa que desafia o consenso econômico, o presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que a receita gerada por suas polêmicas tarifas sobre importações poderia, em um cenário futuro, substituir o imposto de renda federal americano. A afirmação foi feita ontem (terça-feira, 15 de abril de 2025), durante uma entrevista à Fox News com a apresentadora Rachel Campos-Duffy.
O contexto para a sugestão são as chamadas tarifas "recíprocas" (apelidadas por Trump de "Tarifas do Dia da Libertação"), anunciadas neste mês sobre produtos de quase 90 países, sob a justificativa de combater "práticas comerciais injustas". Após uma forte queda nos mercados globais, Trump recuou parcialmente, declarando uma pausa de 90 dias e reduzindo as taxas a uma linha de base de 10% para a maioria dos países – com exceções notáveis, como a China, cujas tarifas foram ainda mais elevadas. Na entrevista, Trump elogiou Campos-Duffy pela pergunta sobre a substituição do imposto de renda, afirmando que ela foi a única a fazê-la, mesmo ele interagindo frequentemente com "as maiores mentes financeiras".
"Há uma chance de que o dinheiro das tarifas possa ser tão grande que substituiria...", especulou Trump, fazendo uma controversa referência histórica à Gilded Age / Era Dourada americana ( 1870-1913). Nesse período, segundo ele, "as tarifas eram a única forma de dinheiro" (receita federal) e os EUA eram "relativamente os mais ricos" – uma era, vale notar, também marcada por profunda desigualdade de renda e pobreza generalizada, apesar do crescimento industrial.
Autointitulado "homem das tarifas", Trump projeta que sua política comercial pode arrecadar mais de R$ 5,8 trilhões (US$ 1 trilhão, cotação R$ 5,80) "no próximo ano ou algo assim". Esse montante, segundo ele, ajudaria a reduzir a dívida nacional e poderia compensar ou até eliminar o imposto de renda, insistindo que as tarifas já injetam "bilhões de dólares (dezenas de bilhões de reais) por dia" nos cofres federais.
O otimismo presidencial, contudo, esbarra no ceticismo de economistas e nos dados concretos. A maioria dos especialistas duvida que tarifas possam gerar receita nessa escala e alerta para o efeito contrário: o aumento dos preços de importados tende a reduzir os gastos do consumidor e desacelerar a demanda geral na economia. Dados oficiais do Serviço de Pesquisa do Congresso (CRS) reforçam essa visão: nos últimos 70 anos, as tarifas representaram, no máximo, 2% da receita federal total anualmente. Em 2024, essa participação foi de apenas 1,7% do total de R$ 28,42 trilhões (US$ 4.9 trilhões) arrecadados pelo governo federal.
Analistas financeiros da ING ofereceram uma visão mais matizada na terça-feira. Eles admitem que tarifas amplas, especialmente sobre a China, podem trazer benefícios de longo prazo para a economia e trabalhadores americanos. No entanto, alertam que a transição seria "muito desafiadora e provavelmente economicamente prejudicial" no curto prazo. Além disso, destacam um paradoxo: se eventuais acordos comerciais levarem à redução das tarifas, o governo perderia justamente o espaço fiscal para implementar cortes mais amplos de impostos, como o sugerido por Trump. A grandiosa promessa do "homem das tarifas" parece, assim, desconectada da realidade fiscal e econômica apontada por dados e especialistas.
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