A 23andMe, empresa de testes genéticos diretos ao consumidor, entrou com pedido de falência nos EUA em 23 de março – e agora os dados de 15 milhões de usuários podem ser leiloados como parte do processo. Especialistas em privacidade alertam: “Excluir informações do site é urgente” para evitar que históricos médicos e ancestrais caiam em mãos de terceiros.
A empresa, fundada em 2006, acumulou um banco de dados bilionário com informações sensíveis, incluindo predisposições a câncer e doenças hereditárias. Em 2021, chegou a valer US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 20,3 bilhões) após entrar na bolsa para financiar pesquisas farmacêuticas. Mas crises financeiras, demissões em massa e quedas nas ações para menos de US$ 1 levaram ao colapso.
Em comunicado, a 23andMe garantiu que “a falência não altera a proteção de dados” e que eventuais compradores teriam de “respeitar as leis de privacidade”. A promessa, porém, soa vazia para usuários. “Nenhum acordo impede que dados sejam usados para fins não éticos, como seguros médicos discriminatórios ou vigilância”, alerta um relatório anônimo divulgado em fóruns de tecnologia.
O caso expõe o lado sombrio da genética comercial: empresas coletam informações íntimas como mercadoria, mas falham em proteger consumidores quando quebram. Para piorar, a NASDAQ ameaça retirar as ações da empresa de sua listagem – o que aceleraria a venda dos ativos, incluindo o precioso banco genético.
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