"Condenação de Le Pen Incendeia Paris: Protestos e a Sombra sobre 2027"

Place Vauban, em Paris, transformou-se neste domingo em palco de uma batalha política explosivaMarine Le Pen, líder histórica da extrema-direita francesa, discursou para milhares de apoiadores após ser condenada a 4 anos de prisão — dois em regime domiciliar — por desvio de verbas da União Europeia. A sentença, que a impede de concorrer em 2027, foi classificada por ela como "caça às bruxas" em um sistema que "tramou para calar vozes dissidentes".

"Pisaram no que tenho de mais sagrado: meu povo, minha honra e a França", declarou Le Pen, erguendo punhos enquanto a multidão gritava "Marine presidente!" e "Não roubarão 2027!". A ex-candidata presidencial, que tem o apoio de 120 deputados da Agrupamento Nacional (RN), acusou a UE e a agência antifraude OLAF de atuarem como "organismos totalitários""O sistema fará de tudo para se perpetuar, mesmo que destrua a democracia", disparou, citando o caso do romeno Calin Georgescu, também barrado em eleições recentes.

O protesto, que reuniu 7 mil pessoas segundo a polícia — ou 10 mil, conforme o líder do RN Jordan Bardella — ocorreu sob o fantasma de 2027. A condenação, confirmada na última segunda-feira, inviabiliza a candidatura de Le Pen ao Eliseu, alimentando teorias de perseguição judicial"O povo deve escolher seus líderes sem interferência de juízes políticos", defendeu Bardella, em discurso inflamado.

Do outro lado da capital, 5 mil manifestantes de esquerda ocuparam as ruas em um contraprotesto liderado por Marine Tondelier (Partido Verde) e Manuel Bompard (França Insubmissa). "Não há espaço para nostalgia autoritária", declarou Tondelier, em referência ao histórico da família Le Pen — cujo partido já foi acusado de racismo e revisionismo histórico.

A condenação de Le Pen refere-se ao uso de verbas europeias para pagar assessores na França entre 2004 e 2016. A política nega irregularidades e promete recorrer, mas a sentença emblemática já ecoa como um teste para a democracia francesa. Enquanto apoiadores comparam o caso a um "golpe judicial", críticos veem um acerto de contas tardio com uma figura que há décadas desafia o establishment.

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