"Erro Profissional ou Crime de Guerra? Israel Enterra Versão Sobre Massacre de Paramédicos em Gaza"

Em um relatório que mistura absurdos e contradições, o Exército israelense classificou como “erro profissional” o massacre de 15 trabalhadores humanitários em Gaza em março de 2024 — incluindo o sepultamento de corpos e ambulâncias em uma vala comum. A investigação interna, divulgada nesta semana, admitiu “falhas operacionais” mas ignorou evidências de execuções sumárias, enquanto familiares e organizações internacionais exigem justiça.

A cronologia do horror

  • 23 de março: Quatro ambulâncias da Crescente Vermelho Palestino (PRCS) e um caminhão de bombeiros foram enviados a Rafah após um ataque aéreo.
  • Perda de contato: Às 5h, paramédicos relataram vítimas no chão antes de serem atingidos por tiros israelenses por mais de 5 minutos. Um carro da ONU também foi alvejado.
  • Bloqueio: Israel impediu acesso ao local por dias, até que uma vala com 14 corpos e veículos esmagados fosse encontrada em 30 de março. O 15º trabalhador, Assaad al-Nassasra, segue preso.

O vídeo que desmonta a narrativa

Gravações do celular do paramédico Rifaat Radwan, morto no ataque, mostram:

  • Ambulâncias com luzes de emergência ligadas e equipes em coletes refletores.
  • Tiroteio intenso começa quando socorristas descem para ajudar.
  • Radwan recita a Shahada (profissão de fé islâmica) antes de morrer.

As justificativas de Israel

  1. “Falha de reconhecimento”: Alegou que luzes de ambulâncias não eram visíveis em óculos de visão noturna.
  2. “Ameaça imaginária”: Um comandante teria confundido resgate com “operação do Hamas”.
  3. Bulldozers sobre corpos: Classificaram o atropelamento de corpos como “proteção até resgate”, não ocultação.

Nenhum militar foi indiciado. Um vice-comandante foi exonerado, outro repreendido.

Execuções e acobertamento?

  • Mahmoud Bassal (Defesa Civil de Gaza) relatou corpos com mãos amarradas e tiros na cabeça.
  • A ONU confirmou que vítimas estavam “de luvas e uniformes” durante o ataque.
  • Israel insiste que “6 eram do Hamas”, sem provas — mesmo sem armas nos veículos.

O padrão de impunidade

Organizações de direitos humanos lembram casos como o da jornalista Shireen Abu Akleh, morta em 2022 e inicialmente culpada por “fogo palestino”. O Tribunal Penal Internacional já alertou sobre a falta de investigações sérias em crimes de guerra israelenses.

Younis al-Khatib, presidente do PRCS, rejeitou o relatório: “Por que enterraram os corpos se foi um ‘erro’?”. Para o grupo Breaking the Silence, a autossabotagem das investigações é sistêmica.

Enquanto isso, as luzes das ambulâncias de Gaza — apagadas a balas — seguem como símbolo de uma guerra onde até a humanidade virou alvo.

Comentários