O presidente direitista Daniel Noboa garantiu a reeleição no Equador após um segundo turno turbulento, mas a esquerda acusa “a maior fraude da história”. Com 55,8% dos votos apurados, o líder de 37 anos superou a rival Luisa González por 12 pontos – resultado que surpreendeu analistas, já que pesquisas previam disputa acirrada.
A Conselho Nacional Eleitoral confirmou a vitória na noite de domingo, porém González – ligada ao ex-presidente populista Rafael Correa – exige recontagem: “É uma grotesca manipulação”, declarou a candidata, enquanto apoiadores ocupavam ruas em protesto. O clima reflete a polarização num país onde 28% da população vive na pobreza e o narcotráfico transformou portos em campos de batalha.
Noboa, que assumiu em 2023 em eleições antecipadas, apostou no discurso de “mão dura”:
- Militares nas ruas desde janeiro
- Captura de chefes do tráfico com apoio de forças especiais dos EUA
- Promessa de reativar economia através do setor bananeiro (fonte da fortuna familiar)
“A partir de amanhã, trabalhamos pelo Equador”, discursou o presidente em Olón, cidade natal, ignorando as acusações. A estratégia parece ter convencido eleitores aterrorizados pela violência cartelizada: em 2024, o país registrou um assassinato por hora, fruto da guerra por rotas de cocaína entre Colômbia, Peru e portos equatorianos.
A ironia? González, que no primeiro turno ficou a apenas 16.746 votos de Noboa, perdeu força ao se aliar a Leónidas Iza, líder indígena com meio milhão de votos. Analistas sugerem: “O eleitor trocou projetos sociais por segurança imediata”.
O desafio agora é claro: Noboa tem quatro anos para frear balas e pobreza – ou o Equador seguirá no mapa global como narco-Estado falido.
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