A China classificou como "jogo de números" o anúncio de tarifas de até 245% sobre suas exportações pelos EUA, acusando o governo Donald Trump de transformar a guerra comercial em teatro econômico. A resposta do Ministério das Relações Exteriores chinês, nesta quinta-feira, ecoa declarações anteriores do Ministério da Fazenda do país, que chamou as medidas de "piada sem significado econômico".
Os números divulgados pela Casa Branca incluem uma tarifa de 125% – imposta sob a alegação de que a China não freou exportações de fentanil – e taxas adicionais de 7,5% a 100% em investigações de segurança nacional. Do outro lado, Pequim mantém tarifas de 125% sobre produtos norte-americanos e restrições não tarifárias, como a redução na exibição de filmes de Hollywood.
Economistas alertam: se mantidas, as tarifas podem paralisar o comércio bilateral. A Organização Mundial do Comércio (OMC) projetou queda de 0,2% no comércio global em 2025 sob o cenário atual, com risco de retração de 1,5% caso as "tarifas recíprocas" de Trump avancem. Já a UNCTAD (agência da ONU para comércio) revisou a previsão de crescimento mundial para 2,3% em 2025 – abaixo do 2,5% que sinaliza recessão global.
"É uma espiral sem vencedores", analisa um relatório da OMC, destacando que países pobres e dependentes de exportações serão os mais atingidos. Enquanto Trump defende as medidas como resposta a "práticas desleais", Pequim as chama de "arma geopolítica" desconectada da realidade.
A escalada ocorre em meio a tensões estratégicas: 70% das tarifas anunciadas estão congeladas até julho, mas a retórica belicosa persiste. Para analistas, o cenário expõe uma guerra fria comercial onde dados econômicos viram munição – e o mundo paga o preço.
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