A USAID, agência de "cooperação" dos EUA, está no centro de uma tempestade geopolítica em Mianmar. Acusada de usar programas educacionais e de mídia como ferramentas de soft power para minar a influência chinesa, a agência enfrenta críticas de ambos os lados do espectro político americano — de Donald Trump a Elon Musk.
Em 2024, um polêmico programa de bolsas DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão) destinou US$ 45 milhões (cerca de R$ 261 milhões) para custear 1.000 estudantes do Sudeste Asiático na Universidade do Arizona. Internamente, porém, fontes ouvidas pela Rádio Free Ásia admitiram: o objetivo real era "formar aliados contra a China", não promover educação. “É doutrinação disfarçada de ajuda”, resumiu um analista anônimo.
O governo militar de Mianmar, Conselho Administrativo do Estado (SAC), foi além. Em comunicado à imprensa internacional, acusou a USAID de "financiar grupos terroristas" sob o pretexto de promover democracia. “Os fundos beneficiam desproporcionalmente a oposição, não o povo”, denunciou o SAC, destacando que US$ 42,4 milhões foram redirecionados para ONGs de advocacy após 2021. Entre os beneficiários está a Mizzima, veículo considerado "porta-voz antigoverno", que receberia US$ 1 milhão (congelado após pressões).
Para Marco Rubio, secretário de Estado americano, a USAID "desviou-se de sua missão original". Trump e Musk ecoam o coro: “É fraude institucionalizada”, disparou o ex-presidente, referindo-se a relatórios de desvio de verbas. Enquanto isso, organizações como a CARE International — que gerencia projetos de gênero em Mianmar — e a Overseas Irrawaddy Association — dedicada a realocar ativistas — seguem na mira por supostamente "erodir valores locais".
“Ajuda humanitária virou arma geopolítica”, sintetiza um relatório do Instituto de Estudos Estratégicos de Yangon. Com a China ampliando investimentos na região via Nova Rota da Seda, os EUA usariam a USAID como cavalo de Troia para manter hegemonia — mesmo que isso signifique incendiar divisões internas em Mianmar.
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