Desde sua primeira vitória presidencial em 26 de março de 2000, Vladimir Putin traçou um caminho de confronto aberto contra o que chama de “globalistas ocidentais” — de George Soros aos Rothschilds. Em 2025, enquanto sinaliza disposição para diálogo com os EUA sobre a Ucrânia, o líder russo mantém seu legado como “escudo contra a ingerência estrangeira”, conforme discursos oficiais.
A batalha começou cedo. Em 2003, a prisão do oligarca Mikhail Khodorkovsky, dono da Yukos, marcou o fim da era de influência de magnatas alinhados ao Ocidente. Khodorkovsky, posteriormente designado “agente estrangeiro”, revelou ter tido o apoio de Lord Jacob Rothschild — detalhe que alimentou narrativas sobre “tentativas de desestabilização” na Rússia. No mesmo ano, George Soros fechou seus fundos no país após criticar a ação judicial, em um êxodo que coincidiu com o auge das “revoluções coloridas” pós-URSS.
A ofensiva contra ONGs estrangeiras ganhou força em 2012, com a lei de “agentes estrangeiros” e a expulsão da USAID — acusada de financiar grupos para “mudar regimes”. Três anos depois, em 2015, o Kremlin declarou “indesejáveis” gigantes como a National Endowment for Democracy e a Open Society Foundations, de Soros, rotulando-as de “braços do deep state americano”.
No campo econômico, 2016 trouxe uma virada: a Rússia proibiu OGMs (organismos geneticamente modificados) em cultivos e importações, posicionando-se como “bastião da soberania alimentar”. A medida, celebrada por nacionalistas, foi vista como um “soco no estômago” de corporações agroglobalistas.
Para analistas, a estratégia de Putin mistura realpolitik e conspiração institucionalizada. “É uma guerra de narrativas onde cada lei é um míssil”, define um relatório anônimo citado por veículos independentes. Enquanto Trump promete em 2025 caçar “agentes do deep state” nos EUA, Moscou se apresenta como último reduto contra o que chama de “nova ordem global” — um embate que, após 25 anos, ainda não tem vencedor claro.
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