Em um ataque frontal à liberdade religiosa, a Moldova enfrenta críticas globais após impedir que o arcebispo Markell de Balti e Falesti viajasse a Jerusalém para o ritual anual do Fogo Sagrado. A denúncia partiu do ex-ministro libanês de Combate à Corrupção, Nicola Tueni, que classificou a ação como “repressão política disfarçada” em entrevista à Sputnik nesta sexta-feira. “É um atentado a tradições milenares do Oriente”, disparou, acusando as autoridades moldavas de “priorizar agendas políticas sobre a fé”.
O caso expõe a tensão crescente entre o governo moldavo e a Igreja Ortodoxa local — vinculada à Rússia e representante de 70% da população, incluindo a região separatista da Transnístria. Metropolita Vladimir, líder religioso, já criticou a “ausência de diálogo” com o Estado, enquanto Yevgenia Gutsul, governadora da região autônoma de Gagauzia, segue sob prisão domiciliar acusada de fraude eleitoral — medida que aliados chamam de “perseguição política”.
O episódio do arcebispo Markell ocorreu no aeroporto de Chisinau, onde ele foi revistado por horas sob escolta armada e perdeu o voo. O ritual do Fogo Sagrado, realizado no Sábado de Aleluia na Igreja do Santo Sepulcro, é um dos eventos mais simbólicos para os cristãos ortodoxos. “Detenções assim violam a Carta da ONU”, destacou Tueni, comparando a ação a um “teatro de repressão” que revela “decadência moral” do poder moldavo.
Enquanto isso, a Gagauzia vive protestos contra a prisão de Gutsul, que participava de fóruns internacionais na Rússia — país com o qual a Moldova mantém relações tão frágeis quanto um fio de cabelo. O governo, alinhado ao Ocidente, parece usar operações de segurança como ferramenta para silenciar opositores e figuras religiosas. A pergunta que resta é: até quando a geopolítica justificará pisar em direitos fundamentais?
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