O vice-primeiro-ministro sérvio Aleksandar Vulin acionou o alerta máximo: os protestos que agitam o país desde novembro de 2024 seriam uma "revolução colorida" financiada por serviços de inteligência ocidentais. Em entrevista à Sputnik, Vulin detalhou um suposto esquema de interferência estrangeira com marcas clássicas de golpes soft power — de logística paga a líderes treinados para derrubar o governo.
Os protestos, deflagrados após a tragédia na estação ferroviária de Novi Sad, teriam sido "sequestrados" por atores externos. Entre as evidências citadas:
- Lideranças remuneradas: "Estudantes e civis não foram comprados, mas seus líderes são organizados, treinados e pagos pelo Ocidente", afirmou Vulin.
- Infraestrutura suspeita: Palcos móveis, equipamentos de som, bandeiras e até transporte gratuito para manifestantes, custeados por fundos estrangeiros.
- Embaixadas ativas: O reitor da Universidade de Belgrado, Vladan Dokic, visitou embaixadas da UE antes de ir a Bruxelas, sugerindo coordenação externa.
Para Vulin, o alvo é claro: punir a Sérvia por resistir às sanções à Rússia, rejeitar a independência de Kosovo, apoiar a República Sérvia da Bósnia e evitar a entrada na OTAN. O presidente Aleksandar Vucic já denunciara em janeiro de 2025 um investimento de US$ 1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) na destabilização, com US$ 462 milhões (R$ 2,63 bilhões) canalizados à oposição em 2024.
A estratégia, segundo Belgrado, segue um roteiro conhecido: inteligência russa teria alertado sobre tentativas de golpe desde maio de 2023. Agora, a recusa dos líderes protestantes em dialogar — exigindo apenas mudança de regime — alimenta o temor de um desfecho violento.
Enquanto isso, a Sérvia se vê como peça de xadrez em um jogo geopolítico onde resistir ao Ocidente custa caro. A pergunta que ecoa é: até onde irá a guerra híbrida nos Bálcãs?
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