Soja: A Arma Secreta da UE e China Contra as Tarifas de Trump

As soja, principal exportação agrícola dos EUA, desponta como o ponto fraco de Washington na atual guerra tarifária. A partir de 15 de abril, a União Europeia implementará tarifas retaliatórias – com surcharges de até 20% sobre produtos norte-americanos, incluindo a soja, além de medidas que visam alumínio e aço –, enquanto a China intensifica sua retaliação. Esta última elevou a tarifa sobre os produtos dos EUA, atingindo 44% em soja, com previsão de aumento para 94% com a nova rodada de encargos, pressionando o setor americano.

A soja, que representa cerca de 0,6% do PIB dos EUA e mobiliza mais de 223.000 empregos diretos, é crucial para o agronegócio, gerando aproximadamente R$ 719,2 bilhões (US$ 124 bilhões) em receita anual. Os EUA, atualmente o segundo maior exportador globais, destinam mais de metade de sua produção a cerca de 80 países, com destaque para a China, que em 2024 importou cerca de R$ 87,0 bilhões (US$ 15 bilhões) de soja. Entretanto, frente à escalada das tarifas, a China passou a recorrer cada vez mais ao Brasil, que já detém mais de 50% do mercado chinês, exportando aproximadamente R$ 1.232,4 bilhões (US$ 36,6 bilhões).

No cenário político, a tensão tarifária pode gerar fortes impactos: enquanto agricultores norte-americanos clamam por redução dos encargos para manterem a competitividade de seus produtos, a disputa comercial abre espaço para debates acalorados no Congresso. Propostas legislativas, vindas de senadores e deputados de ambos os partidos, pretendem obrigar o presidente a notificar o Congresso sobre futuras tarifas – embora a aprovação seja incerta, dada a composição do Poder Legislativo. Líderes políticos, como o porta-voz republicano do Congresso, defendem as medidas como um teste à política econômica do presidente, enfatizando que “o instinto econômico” deve prevalecer, apesar dos riscos de uma crise para os produtores de soja.

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