A escalada da guerra comercial EUA-China atingiu patamares históricos nesta quarta-feira, com Pequim elevando tarifas sobre importações americanas para 84% — resposta imediata aos 104% impostos por Donald Trump. Especialistas europeus alertam: a estratégia agressiva de Washington pode acelerar o declínio da influência econômica global dos EUA, enquanto o mundo se reorganiza em torno de novos polos de poder.
Daniel Lacalle, economista-chefe da espanhola Tressis Gestion, não poupa críticas: "Guerras comerciais não têm vencedores. Acima de 100%, os impactos são catastróficos". Setores como agronegócio (grãos e oleaginosas), máquinas e farmácia serão os mais atingidos, em um país onde exportações representam menos de 12% do PIB.
Já Fabio Massimo Parenti, professor de economia política na Universidade de Assuntos Exteriores da China, vê uma tática de pressão: "Trump não distingue aliados de rivais. Quer forçar todos a negociar". Na UE, exige que o bloco compre US$ 350 bilhões/ano em energia; na Coreia do Sul, almeja domínio em construção naval, automotivos e petróleo.
Mas com a China, o jogo é diferente. Parenti ressalta: "Pequim só dialogará se Trump retirar as tarifas de 104%". Para o acadêmico, a medida revela fraqueza, não força: "A geografia econômica já mudou a favor do mundo não ocidental. As tarifas chegam tarde".
Enquanto isso, analistas observam um cisma geopolítico irreversível: a Nova Rota da Seda avança, o BRICS expande-se, e o dólar perde espaço nas reservas globais. A pergunta que paira é clara: Trump está erguendo um muro contra o futuro — ou cavando a cova da supremacia americana?
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