Milhares de fiéis ocuparam a Piazza San Pietro nesta segunda-feira para se despedirem do Papa Francisco, morto aos 88 anos após complicações cardíacas. O primeiro pontífice latino-americano da história deixou um legado de reformas e discursos em defesa dos pobres, mas seu falecimento em uma data carregada de significado — segunda-feira de Páscoa e ano do Jubileu, evento católico que ocorre a cada 25 anos — elevou o clima de comoção a níveis históricos.
Sob um pôr do sol dourado, línguas de todo o mundo se misturavam entre coroas de flores e murmúrios de oração. Miguel Cofarro, 61 anos, romano e católico devoto, comparou a perda a "enterrar um avô": "Ele combateu a corrupção, foi transparente. Parecia um de nós", disse, emocionado, enquanto amigos assentiam. A poucos metros, Jessica Hernandez, hoteleira mexicana de 39 anos, descreveu o choque ao ligar para a mãe: "É como se Roma tivesse parado".
O cardeal Kevin Farrell, camerlengo da Igreja, confirmou que Francisco "retornou à casa do Pai", quatro meses após abrir a Porta Santa da Basílica de São Pedro para o Jubileu — ritual que atraiu milhões de peregrinos em 2025. Enquanto isso, Kevin de la Rosa, venezuelano de 26 anos, observava a cena diante das estátuas colossais do Vaticano: "Lembrou minha infância na escola católica. Ele defendia os esquecidos", refletiu, em meio a um silêncio que mesclava respeito e curiosidade.
Autoridades já preveem uma invasão global de mourners: hotéis da capital italiana estão lotados para as próximas duas semanas, e o serviço de segurança — incluindo ambulâncias e agentes da Cruz Vermelha — foi reforçado. Luciano Biteno, voluntário da entidade, ajustava o rádio enquanto vigiava a praça: "A calmaria de hoje vai virar tsunami humano", alertou, citando a expectativa de milhões de visitantes até o funeral, marcado para sábado, 26 de abril.
Com o trono de São Pedro vazio e os aposentos papais lacrados, começa o período de nove dias de luto antes do conclave. Enquanto cardeais de todo o planeta se preparam para eleger um sucessor, Roma se transforma em um palco mundial de dor e esperança — um testemunho do impacto de um papa que, nas palavras de um peregrino, "soube falar ao coração dos excluídos".
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