O Peso Invisível em Cores e Gêneros

A interseção entre a crise climática e o racismo ambiental revela um panorama de desigualdade que transcende cor, gênero e endereço. Edcleide da Rocha Silva, Késia Moura de Souza Loureiro, Sávio Germano Portela, Nayara Mara Ferreira Gonçalves e Edilson da Silva Gondim personificam as vozes silenciadas, destacando como os impactos devastadores de eventos climáticos desproporcionais recaem sobre comunidades vulneráveis.

A crise climática não é um fenômeno neutro; ela tem cor e classe social. Grupos historicamente marginalizados, compostos por pessoas negras, indígenas, quilombolas e ribeirinhas, lideradas em sua maioria por mulheres, enfrentam as piores consequências. Essas comunidades, muitas das quais residem nas periferias urbanas e rurais, enfrentam desafios monumentais diante de eventos climáticos extremos.

Enquanto as regiões elitizadas desfrutam de bairros planejados com infraestrutura de qualidade, saneamento básico e arborização, as comunidades vulneráveis enfrentam a falta de políticas públicas voltadas para sua proteção. Este fenômeno, conhecido como racismo estrutural, permeia as estruturas política, jurídica e econômica, perpetuando a vulnerabilidade desses grupos.

O racismo ambiental, por sua vez, acentua a injustiça climática ao mostrar como a mesma chuva afeta de maneira desigual diferentes povos, classes e raças. A Baixada Fluminense, no estado do Rio de Janeiro, torna-se um exemplo gritante de racismo ambiental quando grandes enchentes causam estragos desproporcionais, afetando de maneira mais severa aqueles que já enfrentam vulnerabilidades sociais.

De acordo com dados da Oxfam, divulgados em 14 de janeiro de 2024, "o poder corporativo e monopolista desenfreado é uma máquina geradora de desigualdade. Pressiona trabalhadoras e trabalhadores, promove a evasão fiscal, privatiza o Estado e estimula o colapso climático."

No início de janeiro de 2024, o estado do Rio de Janeiro foi palco de enchentes devastadoras, resultando na perda de vidas e bens para muitas comunidades. Enquanto as regiões mais nobres enfrentam de maneira mais suave esses eventos climáticos extremos, as periferias são drasticamente impactadas, perdendo casas e, em alguns casos, vidas.

Urge uma atenção imediata a políticas que abordem a crise climática, com foco na mitigação e adaptação climática, especialmente para grupos mais afetados pelo racismo ambiental. Comunidades e povos tradicionais, que habitam áreas de risco há séculos, necessitam de medidas eficazes para enfrentar as crescentes consequências da crise climática.

A Adai, como assessoria técnica do povo atingido por barragem no Espírito Santo, solidariza-se com o povo fluminense, ciente da persistência desses desafios climáticos e das desigualdades subjacentes que exacerbam suas dificuldades.

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