Desigualdade Ampliada: Renda dos Super-Ricos do Brasil Dobra em Cinco Anos

Um recente estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) revela um cenário preocupante de disparidade econômica no Brasil, onde os 15 mil mais abastados, representando 0,01% da população, viram seus rendimentos praticamente dobrarem entre 2017 e 2022. O economista Sérgio Wulff Gobetti, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), baseou-se em dados da Receita Federal para elaborar a nota técnica divulgada nesta terça-feira (16).

Segundo o estudo, os super-ricos declararam uma média mensal de R$ 1,1 milhão em 2017, um valor que saltou para R$ 2,1 milhões em 2022, refletindo um aumento de 96%. Esse crescimento desenfreado supera em três vezes o ritmo médio de 95% da população brasileira.

Em contrapartida, os 142 milhões de brasileiros que compõem os 95% mais pobres viram uma elevação mais modesta em seus rendimentos, de R$ 1,7 mil por mês em 2007 para R$ 2,3 mil em 2022, representando um crescimento de 33%, cerca de um terço do avanço observado entre os mais ricos.

O estudo, que analisou a renda de 149 milhões de pessoas, revelou um aumento médio de 44% nos ganhos desses brasileiros, que passaram de R$ 2,6 mil em 2007 para R$ 3,6 mil em 2022. Contudo, o destaque fica para a concentração adicional de renda, onde o 1% mais rico viu sua fatia do bolo crescer de 20,4% para 23,7% entre 2017 e 2022, sendo a maior parte absorvida pelos milésimos mais ricos.

O estudo aponta que, para integrar esse estrato dos super-ricos no Brasil, é necessário ter uma renda mínima de R$ 140 mil mensais, enquanto o 1% mais rico requer uma renda superior a R$ 30 mil e os 5% mais ricos possuem renda acima de R$ 10 mil.

O economista ressalta que o rendimento dos mais ricos cresceu principalmente em categorias isentas ou de baixa tributação, como os ganhos com dividendos, que aumentaram 119% em cinco anos. Gobetti destaca a necessidade de revisão das isenções tributárias que beneficiam os mais ricos, ressaltando a urgência de medidas que promovam uma distribuição de renda mais equitativa.

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