A Sombra do Autoritarismo: Bukele e o Desafio à Ordem Democrática em El Salvador
Após a conquista avassaladora de Nayib Bukele nas eleições deste domingo (4), garantindo-lhe um segundo mandato presidencial em El Salvador, cresce a preocupação sobre o futuro da democracia na região. A ascensão de Bukele ao poder consolidou um modelo autoritário, alerta a advogada salvadorenha Ruth Alfaro, especialista em direito eleitoral, indicando que essa abordagem pode servir como exemplo prejudicial para outras nações latino-americanas.
Em diálogo exclusivo com o Brasil de Fato, Alfaro apontou para a evidente deterioração institucional em El Salvador. Ela destacou não apenas a natureza autoritária do regime, mas também a ausência de um sistema eficaz de prestação de contas, que deveria não apenas informar a população, mas também agir contra violações de processos e direitos, muitas vezes fundamentados na corrupção.
Na noite da eleição, Bukele autodeclarou-se vencedor com mais de 85% dos votos, antes mesmo do início da apuração oficial. Os resultados, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com cerca de 70% dos votos apurados, confirmam sua vitória com mais de 1,6 milhão de votos. No entanto, a apuração eletrônica foi abruptamente interrompida, sendo agora realizada manualmente, levantando questões sobre a transparência do processo.
Os candidatos de esquerda, Manuel "Chino" Flores, da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), e Joel Sánchez, da Aliança Republicana Nacionalista (Arena), alcançaram 139 mil e 122 mil votos, respectivamente.
Apesar da divulgação oficial, incertezas persistem sobre dados cruciais, como o número total de eleitores e a quantidade de votos brancos ou nulos. Alfaro destaca que a falta de transparência lança uma sombra sobre o processo eleitoral.
A advogada salienta que a fragilidade institucional não é um fenômeno recente, mas sim resultado de um processo iniciado durante o primeiro mandato de Bukele, que teve início em maio de 2021. A gestão do atual presidente, marcada por medidas autoritárias, resultou na cooptação institucional, privando o país de sistemas de freios e contrapesos.
O primeiro mandato de Bukele foi caracterizado por ações controversas, incluindo a invasão do Congresso pelas Forças Armadas em 2020 e a remoção de juízes da Suprema Corte em 2021. Seu plano de segurança, implementado sob um estado de exceção desde 2022, busca enfrentar grupos do crime organizado, alcançando resultados positivos na redução de homicídios e índices de violência, conforme dados do governo salvadorenho.
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