Decisão Adiada: Vereadores de São Paulo Postergam CPI sobre Padre Julio por Mais 15 Dias
Em uma reunião marcada pela tensão, o Colégio de Líderes da Câmara Municipal de São Paulo deliberou, nesta terça-feira (20), adiar por mais 15 dias a decisão crucial sobre a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Organizações Não-Governamentais (ONGs). A CPI, proposta pelo vereador Rubinho Nunes (Republicanos), tem como alvo o padre Julio Lancellotti e seu trabalho na região conhecida como Cracolândia, no centro da capital paulista, junto aos dependentes químicos.
O presidente da Câmara Municipal, vereador Milton Leite (Republicanos), respaldado pela maioria dos parlamentares, argumentou que a CPI, em sua forma original, visa investigar ONGs, mas na prática tem sido utilizada por Nunes como uma "plataforma política" para "atacar" Lancellotti. A falta de elementos convincentes para a instalação da CPI foi o ponto central para o adiamento da decisão.
Há uma clara preocupação entre os vereadores em relação à exposição prematura do líder religioso antes mesmo do término de qualquer investigação. Evitando mencionar o nome do padre diretamente, os parlamentares acreditam que acusações de abuso sexual deveriam ser de competência da polícia, igreja ou Ministério Público.
Atualmente, a Arquidiocese de São Paulo conduz uma investigação sobre a denúncia de abuso sexual contra Lancellotti. Apesar dessa averiguação em curso, Rubinho Nunes voltou a levantar suspeitas durante a reunião.
"Chegou ao meu conhecimento que uma segunda vítima, um ex-usuário em recuperação, vai depor sobre fatos similares que ele teria presenciado, junto à Arquidiocese", declarou Nunes, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL).
O vereador anunciou ainda a intenção de levar o jornalista Cristiano Gomes, acusador de Lancellotti, e a "segunda vítima" para depor na Câmara. Essa proposta provocou a indignação de vereadores da oposição, como Arselino Tatto (PT) e Elaine Mineiro (PSOL), que classificaram a atitude como uma "palhaçada".
"Virou depoimento? Agora o Rubinho é delegado? Vamos parar com essa palhaçada. Agora tá expondo o padre. Tem que parar com essa palhaçada", protestou Tatto.
Eliseu Gabriel (PSB) destacou a peculiaridade de conduzir depoimentos antes mesmo da aprovação da CPI. "É estranho que a CPI nem tenha sido aprovada, e o proponente já está querendo conduzir depoimento. Agora, fazendo ilação aqui? Não tem cabimento conduzir inquérito sem CPI aberta", ponderou Gabriel.
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