Grupo Israelense Apela por Investigação de Software Usado pela Abin e Exige Respostas Internacionais
Em uma reviravolta internacional, um grupo liderado pelo destacado advogado Eitay Mack, em Israel, encaminhou à Procuradoria Geral do país um pedido crucial de investigação criminal. O foco do pedido recai sobre o software First Mile, alegadamente utilizado de maneira ilícita pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionar uma ampla gama de figuras, desde opositores até aliados da família Bolsonaro.
O programa, fornecido ao Exército Brasileiro pela empresa israelense Cognyte, tornou-se o epicentro de um escândalo de espionagem dentro da Abin. Em um documento hábil apresentado por Mack, as operações da Polícia Federal no Brasil fornecem a base argumentativa para que a Cognyte seja investigada em Israel, onde já possui histórico de escândalos.
O advogado, acompanhado por outras 32 personalidades, incluindo juristas e acadêmicos, sustenta a solicitação com evidências que sugerem que cerca de 30 mil pessoas, incluindo servidores públicos, jornalistas, juízes, políticos e até mesmo membros da família Bolsonaro, foram monitoradas sem autorização judicial. A espionagem, segundo o grupo, tinha motivações políticas, de corrupção e para perturbar investigações criminais.
O pedido destaca que as informações sobre os alvos foram armazenadas em datacenters em Israel, justificando assim a jurisdição do país no caso. Além de investigar a Cognyte, o grupo propõe uma investigação ampla que inclua funcionários israelenses do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Defesa que presumivelmente aprovaram as licenças de exportação do software para o Brasil.
Os signatários pedem a apreensão imediata de documentos relacionados às licenças de exportação da Cognyte para o Brasil, visando aprofundar a investigação. Em uma medida ousada, solicitam que Israel revogue a licença da Cognyte para exportar seus serviços ao Brasil, fundamentando a exigência no uso ilegal do programa, em desacordo com a Lei de Controle de Exportações de Defesa de Israel.
Este apelo internacional não se detém apenas na esfera legal, mas também invoca sanções práticas. Os signatários exigem a proibição do uso do software pela Cognyte no Brasil, privando órgãos como o Exército e a Abin do acesso ao First Mile. Com base na legislação local, os executivos da Cognyte poderiam enfrentar prisão de até 10 anos caso o programa seja comprovadamente utilizado para atividades ilegais.
Este episódio destaca a complexidade das relações internacionais no mundo digital, onde as fronteiras muitas vezes desaparecem diante da ubiquidade da tecnologia e das questões éticas que a envolvem.
Comentários
Postar um comentário