Operação Verão na Baixada Santista: Rastros de Confronto e Questionamentos
Os desdobramentos da Operação Verão na Baixada Santista têm gerado intensos debates e questionamentos, com o saldo de 26 vidas perdidas desde o início de fevereiro, conforme revelado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo (SSP). Na última sexta-feira (16), uma operação resultou em três mortes, incluindo um líder de facção conhecido como Danone, durante um confronto com policiais do Comando e Operações Especiais.
A SSP afirma que a perícia foi acionada, e o caso está sob investigação. Contudo, o elevado número de óbitos durante a operação levou a Defensoria Pública de São Paulo a apresentar um pedido à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para encerrar a Operação Escudo no estado. O pedido, endossado por organizações como Conectas Direitos Humanos e Instituto Vladimir Herzog, solicita também a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais pelos agentes de segurança pública.
A Operação Verão, inicialmente denominada Escudo, foi lançada em reação às mortes de policiais, mas sua continuidade tem gerado inquietação. A mudança de nome pela administração estadual para Operação Verão não diminuiu as preocupações em torno do alto índice de fatalidades.
DENÚNCIAS DE EXECUÇÃO
Durante o Carnaval, uma comitiva composta pela Ouvidoria da Polícia de São Paulo, Defensoria Pública e deputados estaduais visitou a Baixada Santista, colhendo relatos alarmantes de moradores. As denúncias incluem práticas de execuções, torturas e abordagens violentas por parte dos policiais militares da Operação Escudo contra a população local e egressos do sistema prisional.
"A sociedade e os territórios periféricos estão muito assustados, relatando abordagens truculentas, violentas e aleatórias, busca de egressos do sistema prisional, torturas e execuções. O que a gente está vendo aqui é um Estado de exceção. O Estado autorizando a sua força policial a executar pessoas sem o devido processo legal, sem mandado judicial, sem chance à ampla defesa", afirmou a deputada estadual (Psol) Mônica Seixas à Agência Brasil.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo defende que as operações visam o combate à criminalidade e a garantia da segurança da população. Durante a Operação Verão na Baixada Santista, a pasta destaca que 634 criminosos foram presos, incluindo 236 procurados pela Justiça.
Comentários
Postar um comentário