Parlamentares do PSOL Desafiam Discurso de Mourão e Buscam Justiça na Defesa da Democracia

Numa resposta contundente ao discurso do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) proferido no plenário do Senado, parlamentares do PSOL decidiram entrar com ações judiciais na quinta-feira (8), buscando conter o ímpeto incitatório que Mourão direcionou às Forças Armadas diante da operação Tempus Veritatis da Polícia Federal.

A operação, que realizou mandados de busca contra 33 indivíduos, incluindo militares de alta patente e ex-ministros de Bolsonaro, suspeitos de envolvimento em uma trama golpista para manter o ex-presidente no poder, gerou reações inflamadas por parte do senador.

Mourão afirmou no plenário: "Não vivemos em regimes totalitários, mas estamos caminhando para isso. No caso das Forças Armadas, os seus comandantes não podem se omitir perante a condução arbitrária de processos ilegais que atingem seus integrantes, ao largo da Justiça." Ele também alertou sobre a possibilidade de um confronto de "gravíssimas consequências."

Duas representações foram apresentadas, uma delas assinada pela deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP), deputado estadual Carlos Giannazi e vereador Celso Giannazi, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles pediram que o magistrado proíba Mourão de "praticar os crimes de incitação e apologia ao crime através do estímulo das Forças Armadas para atuarem contra as Instituições Democráticas."

O segundo grupo, composto pelos deputados federais Sâmia Bonfim (PSOL-SP), Glauber Braga (PSOL-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS), acionará a Procuradoria Geral da República (PGR) contra Mourão por suas "declarações golpistas". No Twitter, Sâmia destacou que o ex-vice-presidente incitou as Forças Armadas a se insurgirem contra a operação da PF.

Além das ações judiciais, o grupo planeja entrar com uma representação no Conselho de Ética contra o ex-presidente da República na gestão Bolsonaro. Fernanda Melchionna ressaltou a gravidade da incitação ao golpismo e afirmou que Mourão deve responder por isso em todas as esferas - civil e criminal.

A operação Tempus Veritatis não apenas visou a busca de informações, mas também determinou o afastamento da função pública de quatro militares da ativa, incluindo o general Estevam Theóphilo Gaspar de Oliveira, que integrava o Alto Comando do Exército até novembro de 2023. As investigações apontam que o general teria se reunido com Bolsonaro em dezembro de 2022, sinalizando apoio ao presidente em uma possível empreitada golpista.

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